domingo, 15 de junho de 2014

Vitrola à Corda Columbia Japonesa

Alô Amigos;

Faz um certo tempo que não atualizo com Restaurações o nosso blog. Confesso que, depois dos calotes que andei tomando, andei decepcionado pois, numa forma diferenciada do que existe por aí, aqui TUDO tem conserto, reparo e Restauro. Mais demorado???? Sem duvidas... tem rádios fazendo aniversário por aqui e, ainda mais por essa razão, eu devo fazer o melhor trabalho possível e imaginado.
Aliado aos fatos acima, tenho desenvolvido novas técnicas...sim, pode parecer que eu "sei tudo", mas assim como matemática e música, as técnicas de Restauração se desenvolvem a cada dia com novos produtos, novas maneiras de se chegar à perfeição e, muitas vezes, não mais rápido do que antes....

Entre essas técnicas novas está a de fazer knobs...uma próxima Restauração, vocês verão a loucura que se torna o estudo onde todos guardam os segredos sobre 7 chaves....muitas vezes me pergunto para que, mas depois de estudar um assunto por 14, 15 ou 25 dias eu descobri as formas e cheguei aos mesmos resultados de quem estudou 4 anos... Mas para isso, durante esses 25 dias, tudo parei...beirei a loucura, mas consegui....kkkkk

Mas vamos falar de uma Restauração gostosa, onde desenvolvi e aprendi com mestres...vamos lá?

No final de Março eu recebi um Pai e uma Filha, vindos de Ribeirão Preto-SP, portando uma vitrola à corda entre as mãos... Após 15 minutos de papo, vieram conhecer a Officina(ainda estava organizada...rsrsrs), deixaram a vitrola e contaram a estória pela qual me apaixonei, sem duvidas....Uma Restauração sem história ou estórias não fica completa....

Defeitos da vitrolinha: Tudo travado e a cabeça reprodutora sem "som"...estava quebrada por dentro. Combinamos a Restauração com verniz na caixa, sem alterar a "pátina" original....gostei da idéia...

Ao desmontar a mecânica, de cara, o eixo de velocidade estava "rombudo", ou seja, com as pontas grossas e, dessa forma, não atingia velocidade....

 Em destaque o eixo de velocidade....corda descarregada...deveria estar presa há mais de 30 anos.
 Borrachas originais totalmente derretidas travando as engrenagens.
Muita Graxa, óleo, Vaselina e qualquer outro tipo de lubrificantes que vocês puderem imaginar...

A maquina ficou de "molho" por 2 dias para desempregnar dos muitos lubrificantes que estavam presentes nas engrenagens e platina... Enquanto isso fui consultar o meu primeiro oráculo de sapiência(meu pai) que foi exímio relojoeiro pelos idos dos anos 60 e 70 e que conserva ainda o ferramental necessário para as restaurações pessoais, não fazendo mais nada para ninguém...rsrsrs...como ele diz: "Aposentei, agora só trabalho para mim...."...kkkk
Mas, nesse dia, tirou grandes duvidas sobre mecanismos, pivotagem de eixo, limpeza de orificios de platina e etc. 
E lá fui eu, pedra de carburundum, pedra de arkansas e muito jeitinho para fazer as pontinhas dos eixos...
A limpeza, mesmo depois de horas no ultra-som e outros banhos quimicos, havia, bem profundamente nas hastes de sustentação do eixo de velocidade alguma coisa que ainda impedia o "deslanchar" da roda...aí vem aquilo que se aprende com os mestres: O pulo do gato....kkkk... eu nem imaginava que para esse tipo de limpeza era usado o pau de cerejeira...aprendi como e o porque e fiz os procedimentos....amigos...a maquina ficou perfeita..... a velocidade foi ajustada para estar, no centro do ajuste, em 78 rotações por minuto e, em suas extremidades, assumindo mais rápido, até 90 rotações por minuto e, no mais lento, desde 58 rotações por minuto...ou seja, perfeição...

Montei as cordas com graxa apropriada, entre os dentes das engrenagens graxa branca de mecanismo e o funcionamento ficou ainda melhor....novos ajustes e poderia montar...aí veio o acabamento.

Bom, diante de mim estava uma vitrola com mais de 90 anos de idade, encapada com tecido semelhante ao corvim. Usar verniz, que é a base de petróleo, poderia fazer com que se soltasse a cola original....então, o que fazer??? Tenho um pequeno forno e fiz um processo que faço com peças em couro....hidratação. Óleo Super Fino(WD-40), calor, Creme Nivea, estopa, WD40, calor e cera de carnaúba....ficou perfeita a caixa, com brilho acetinado, suave e com o aspecto de hidratado, mantendo a patina e desgastes do tempo....




Contada a história, a familia me informou que logo após a I Guerra Mundial, a familia veio do Japão para o Brasil. Essa pequena Vitrola veio no navio e serviu para animar os passageiros do navio que os trouxe... Por volta dos anos 50 foi dada para um amigo da familia que se mudou para muito longe e a conservou...após mais de 60 anos sem ninguém ter noticias dela, alguém encontrou o bilhete que informava de quem era e quem havia doado a vitrola....Se sentindo bem em devolver o "bem" para a familia original do aparelho o neto de quem recebeu a vitrola nos anos 50 entregou ao neto do Japonês que veio para Brasil na década dos 20...imaginem a emoção de ter nas mãos, algo que somente as tias mais idosas conheciam a existência e as estórias da viagem de chegada.... Eu gosto da ideia de agora, fazer parte dessa história....por isso ainda amo meu trabalho....acredito que faço a diferença....



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Um comentário:

Rodrigo disse...

Incrível! Incrivel tanto a vitrola quanto a história. Parabéns!